Não é perfume, é cheiro
Que exala das páginas brancas nuas
À espera da escrita
O grafite do lápis quase risca
Encosta, se sente
E, quando risca, perfura metade da página
A metade mais clara
Mais rara
Mais fraca
E o que ele vê vermelho, vejo branco
O que eu vejo puro, ele, insano
A cada verso escrito uma dor escondida
A cada dor, um gemido de agonia
A cada agonia, extraordinária epifania
E o ômega retorna
Ao ciclo infinito da metalinguagem dos corpos
Que faz ler em braile curvas demoníacas
Neste momento sinto que não sou poeta
Só Bataille me entenderia.
Juliana Barreto

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