Onde está você, meu maior sonho? Que tem escondido de mim atrás De muros ou portas ou vidros Quem sabe? E já não suporto mais a solidão Que me deixou como presente de grego Por amor, por ironia ou por medo. Arquitetei nossa casa, meu amor, Fabricada com sonhos e vidas passadas Quase ouço meu grito desesperada Vendo você me deixar para este sempre. Se as janelas e cortinas brancas saíssem da minha mente… Mas nao, meu anjo, perseguem-me Como mostra do que vivemos Há tantos anos, décadas, séculos De prantos, mas esperanças. O vinho que bebi e que, embriagada, Fez-me dançar como uma louca Apaixonada, Ainda faz doer-me a cabeça Mas o coração, metade dele que me resta, Este, meu mundo, este não mais consegue bater
sossegado, Nem me reconhece. Espera ouvir seus passos, ver seus olhos, E assim vou juntando peças dos sonhos que nós mesmos quebramos E ainda me pergunto por que aceitei vir longe de você, Esperar tanto tempo pra te reconhecer, Pra te viver… Ah, meu inteiro, Sou a metade da metade que você deixou pra trás E o que me resta não sei mais se sou capaz De juntar ou de voltar a ser!Não há caminhos, nem fé, nem lembranças que me sustentem Pois se só em você me vejo Se só me vejo Porque só te vejo… Em algum lugar, metade do meu coração bate, Metade da minha voz canta ou lamenta, Metade dos meus olhos se vê no espelho-mar, Metade da minha boca professa que me irá encontrar! Pois é assim, minha metade, Que já não mais vivo nem morro. Sinta o meu choro! Porque bem sei que neste mesmo instante, momento parado no tempo, Você vê cada uma de minhas lágrimas Rolarem pela metade do meu rosto que você vê no espelho. E ainda, para maior lastima da minha alma empobrecida, Em algum lugar-tempo, Você toca meu corpo, metade, Na metade que ficou com você Quando Deus nos rasgou no meio.
Juliana Barreto

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