Os olhos da alma do anjo caído
Difícil acreditar na humanidade se os olhos mentem. Impossível,
eu diria. Os olhos sinceros mentem. A boca que beija, a mesma que profeçou
amor, ela também mente. Mas da boca – que não é espelho da alma – ah! até que
se entende! Os olhos mentem. E se o sorriso verdadeiro de felicidade
verdadeiramente sentida, de vero representada por um abrir de lábios que mais
parecem o nascer do sol, o sorriso também mente. Mente também o que está na
mente. Lembranças do que foi indubitavelmente maravilhoso nunca existiram. Nunca
foram sentidas. Os olhos mentem. Então não creio em luzes. Nem em sons. Nem em
nuvens. Nem em passos. Nem em sol. Nem em abraços. Os olhos mentem. Sou hoje
uma criança que acorda de um sonho bom. Mas acorda gritando. A agonia do sonho
era exatamente por ter sido bom. Acordei de um sonho bom. Gritando. Porque os
olhos.. Ah! Aqueles olhos... os olhos mentem.
Juliana Barreto - 06/11/2013

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