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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Os olhos da alma do anjo caído

Os olhos da alma do anjo caído




Difícil acreditar na humanidade se os olhos mentem. Impossível, eu diria. Os olhos sinceros mentem. A boca que beija, a mesma que profeçou amor, ela também mente. Mas da boca – que não é espelho da alma – ah! até que se entende! Os olhos mentem. E se o sorriso verdadeiro de felicidade verdadeiramente sentida, de vero representada por um abrir de lábios que mais parecem o nascer do sol, o sorriso também mente. Mente também o que está na mente. Lembranças do que foi indubitavelmente maravilhoso nunca existiram. Nunca foram sentidas. Os olhos mentem. Então não creio em luzes. Nem em sons. Nem em nuvens. Nem em passos. Nem em sol. Nem em abraços. Os olhos mentem. Sou hoje uma criança que acorda de um sonho bom. Mas acorda gritando. A agonia do sonho era exatamente por ter sido bom. Acordei de um sonho bom. Gritando. Porque os olhos.. Ah! Aqueles olhos... os olhos mentem.






Juliana Barreto - 06/11/2013

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