Fatídico
O coração não cabe no corpo. Os pensamentos não cabem
na mente. Também não cabem as lembranças. Certo cantor italiano celebrou, um
dia, as seguintes profecias: desculpa se te amo, se nos conhecemos há dois
meses ou um pouco mais; desculpa se não falo baixo, mas, se não grito, morro;
não sei se sabe se te amo”... Talvez ele já soubesse da dor que isso causa.
A dor não cabe no peito. O cérebro não consegue processar
com tanta intensidade e tanta rapidez a dor do não acontecido, do não vingado,
a dor do ido.
E foi assim que descobri que as flores murcham. Que nada
impede o acerto da flecha, a presença de sangue na alma. Outro poeta cantor,
talvez, alguém que tenha provado amor phármakon – esse remédio-veneno – uma vez,
também disse: se foi pra terminar, por que começou? Tinha que ser pra sempre...
É, eu sei, tanta coisa mudou!
Só a dor que não passa. Passam os carros e a dor não
passa. Olhos passam pela sala. E a dor não passa. Eu poderia ser uma pessoa
melhor, eu poderia ter escolhido ser livre, eu poderia... tanta coisa. Mas escolhi
amar. E fim.
Juliana Barreto - 06/11/2013

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