Poeta morto
O poeta deveria ter deixado a escrita.
Escrever para quê? – dizia.
Falar das paisagens arcádicas?
Que utopia!
Declamar o amor byroniano – o mal
deste século também é amar –
tão falso quanto os amantes que se abraçam?
Ah! Facas me matam!
Contar as sílabas, as rimas,
Procurar escutar ritmos onde forçosamente existem?
Demônios, não me permitam!
O poeta deveria ter deixado a escrita
Antes de sentir a Dor.
Mas perdeu tempo, não lutou antes,
Amou.
O poeta agora anda sem direção,
Sem porquês, não há razões
Para sobreviver.
O poeta está morto. Por dentro. Por fora.
Em cada contorno.
E não há veneno que salve
Nem remédio que o conduza à morte.
Se o poeta tivesse deixado a escrita
Hoje (sobre) viveria sem
Mesmo sem tanta sorte.
Juliana Barreto - 06/11/2013

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