A memória guarda a si
Guarda ao outro
Guarda e protege -
Anjo da guarda.
A memória chega e exalta
Aquele que pintou de azul
O que era meu e seu e de mais ninguém.
E as palavras, e as cartas, e as caixas
de surpresa
Que nunca aconteceram (ão).
Ficarão na memória os ditos
os não-ditos
os filhos - encontrados na rua -
para relembrar o que se queria esquecer.
Ficarão na memória os conhecidos, os queridos
Os esquecidos amigos mais inimigos.
Guardados ficarão as falas trocadas virtualmente que
Pessoalmente
Não fizeram mais sentido.
Guardados ficarão os gritos
Os soluços de quem chora de dentro do coração.
Guardada ficará toda a emoção
De quem esperou demais
Nadou e morreu
Na praia.
No nada.
Nos cabelos cacheados de minissaia.
Enterrados ficarão os que fizeram rir
Os que fizeram sofrer
Os que não sabem mentir
Mas que bem sabem esconder.
Enterrados
No abismo onde se encontra o sonho perdido
Onde se viu partir o mínimo
Levando o máximo de mim.
Não cabe no papel – já dizia o poeta
– não cabe dentro de quem sou
Mas cabe na memória infundada
De quem um dia sonhou. - Juliana Barreto
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
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